Anestesia e doença periodontal em animais idosos
É frequente no dia a dia de quem trata de patologia periodontal, que os pacientes cheguem tarde demais.
– O desconhecimento da gravidade da situação dentária.
– A habituação ao cheiro (sim é verdade, as pessoas habituam-se a uma halitose inqualificável).
– O medo da anestesia em pacientes idosos que levam a um adiar interminável.
– O custo de procedimentos, optando por tratamentos apenas cosméticos ou por na tratar de todo.
Todas estas razões parecem ser argumentos para não recorrer a tempo a um serviço dedicado de tratamento de doença periodontal.
Hoje, em dia de congresso de anestesia em Portugal, dedico-me apenas ao argumento do medo.
O medo vem normalmente do desconhecido e se bem que existe uma forte componente desconhecida, assim também é na medicina humana, hoje em dia não há razões para grandes medos.
Sabemos que os medicamentos indutores são francamente seguros.
Se a isso juntarmos anestesia multimodal, o risco acaba por ser ainda mais diminuído, mas se a tudo juntarmos, bons monitores e equipamentos de anestesia, ainda melhoramos as nossas hipóteses de tudo correr bem.
Contudo, a consulta pre cirúrgica com estabelecimento do risco anestésico do paciente e uma equipa de anestesia altamente capaz serão certamente os dois pontos que mais diferença fazem.
Perceber, com análises e exames prévios, possíveis patologias desafiadoras para a anestesia e ter a capacidade no trans-anestésico para lidar com as oscilações de planos anestésicos ou outras intercorrências, permite uma taxa muito residual de animais com problemas anestésicos em procedimentos orais. Nada disto depende directamente da idade!
Não existem anestesias seguros, existem bons anestesistas, já dizia alguém.
Não deixem que a idade seja uma questão impeditiva. Procurem ajuda que vos transmita a segurança necessária para que a idade não seja, de todo, um problema.