Gengivoestomatite felina e exodontia subtotal
Na gengivoestomatite felina, a evidência é clara:
quando existe inflamação caudal significativa, a abordagem com melhor taxa de controlo da dor é a exodontia subtotal.
Não é radicalismo. É redução do estímulo antigénico associado à placa bacteriana.
Mas nem sempre é isso que nos deixam fazer.
Há casos em que apenas são autorizadas extrações de dentes inviáveis e essa decisão muda completamente o enquadramento terapêutico.
Remover apenas os dentes “piores” não elimina o problema imunomediado. Mantêm-se superfícies dentárias. Mantém-se placa. Mantém-se estímulo inflamatório.
Passamos de uma abordagem potencialmente resolutiva para uma abordagem paliativa.
A partir daí, o sucesso depende quase exclusivamente do controlo rigoroso de placa — idealmente com escovagem diária.
E sejamos objetivos: a maioria dos gatos não tolera manipulação oral consistente.
O tutor tem o direito de decidir.
O nosso dever é garantir que decide com plena consciência:
• Pode não haver resolução clínica
• Pode ser necessária cirurgia futura
• O sofrimento pode prolongar-se
Medicina veterinária não é impor.
Mas também não é suavizar a realidade.
É recomendar o que oferece melhor prognóstico —
mesmo quando essa não é a escolha final.
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